A qualidade da educação no Acre: um grito de alerta dos educadores

Ruan Teixeira

A qualidade do ensino no Acre atingiu seu pior patamar em avaliações externas, um cenário inédito nas últimas décadas e que acende um alerta doloroso entre os profissionais da educação. Apesar de cumprirem rigorosamente as exigências e metodologias estipuladas pelo Secretaria Estadual de Educação, os professores encontram-se desorientados e angustiados diante dos índices alarmantes que revelam o colapso de um sistema que deveria sustentá-los.

Mesmo participando integralmente das formações e contribuindo para a construção de materiais didáticos — muitas vezes às próprias custas, oferecendo cotas de água, café e atividades culturais —, os resultados revelam a ineficácia da plataforma de qualidade da Secretaria. As causas desse fracasso são múltiplas e profundas, exigindo uma análise cuidadosa e corajosa.

O primeiro ponto que salta aos olhos é a desvalorização profissional. O desânimo cresce entre os educadores diante do congelamento e achatamento das carreiras, da retirada dos 10% de progressão e da ausência de reajuste no piso salarial. Embora esteja acima do nacional, não impede que seja reajustado anualmente, não é crime ser acima do piso nacional e, isto reflete a dignidade que a profissão exige. A disparidade entre provisórios, que já representam mais de 70% do corpo docente, e efetivos — ambos com a mesma carga horária — recebem salarios menores, agrava ainda mais o sentimento de injustiça e precariedade.

Outro aspecto crítico são as condições de trabalho. Em um mundo em que a inteligência artificial e os avanços tecnológicos moldam a vida cotidiana, nossos alunos ainda estão presos a salas de aula sem recursos modernos, enquanto a escola e a Secretaria de Educação permanecem paralisadas no tempo. Professores e estudantes caminham dsfasados da realidade, privados das ferramentas que poderiam transformar o aprendizado em esperança. Basta uma comparaçao com as escolas privadas que obtiveram melhores indices na qualidade do ensino

A formação continuada, que deveria ser o pilar para enfrentar os novos desafios, encontra-se estagnada. A Secretaria não apresenta programas inovadores de capacitação capazes de preparar os docentes para o presente digital e tecnológico. Os professores são mantidos presos a métodos antiquados, incapazes de dialogar com as necessidades do século XXI.

Como se não bastasse, a saúde mental dos profissionais está gravemente comprometida. A categoria enfrenta um adoecimento silencioso e devastador. A ausência de políticas de apoio da Secretaria de Educação, somada às cobranças excessivas, alimenta sintomas de depressão e ansiedade. A cada cobrança, esvai-se um pouco mais da motivação e do brilho desses trabalhadores que carregam nas costas a esperança de tantas famílias.


A consideramos ainda a falta da autonomia democráticas nas escolas, a escola deixou de ser uma gestão democrática e participativa, a Secretaria de Educação não permite que as escolas desenvolvam seus projetos políticos pedagógicos e, claro as que consistiram democraticamente com a participação da comunidade escolar envolvendo professores, funcionários, alunos e pais construindo um projeto dentro da realidade da comunidade.
A Secretaria de Educação tem exercido um papel repressor nas escolas, se a escola não fizer, cumprir o que lhes e imposto, sofre, abre sindicância por desobediência. A Secretaria de Educação não tem dialogado com os problemas críticos do ensino aprendizado, a democracia pedagógica, respeitando os projetos políticos pedagógicos, a diversidade da realidade da clientela da comunidade, tem tido uma postura autoritária impo9ndo a submissão.


A Secretaria de Educação tem que ter a humildade e reconhecer que estar errada, sua metodologia pedagógica não está funcionando. Deve abrir o debate com os profissionais em educação para avaliar as problemáticas e os problemas críticos para chegar aos fatores que levou a este índice tão péssimo e deixar o Acre no ultimo lugar no ranque da qualidade da educação. Se faz necessário ouvir os profissionais, alunos, pais para identificar as variáveis da baixa qualidade do ensino aprendizado e com certeza juntos as soluções necessárias serão construídas para um projeto de curto, médio e longo prazo para atingir melhores índices.


O que não podemos aceitar é atribuir exclusivamente ao professor, a gestão das escolas como se a Secretaria de Educação não tenha responsabilidade e compromisso com a qualidade do ensino

Todos esses fatores, combinados, explicam a queda drástica na qualidade do ensino no Acre e tantos outros que não foram mencionados. O que está em jogo não são apenas índices ou estatísticas: é o futuro de nossos jovens e a dignidade de quem dedica a vida a educar. É urgente que se implementem medidas integradas que valorizem o profissional, atualizem as práticas pedagógicas e, sobretudo, cuidem da saúde emocional e física dos educadores. Sem isso, estaremos condenando toda uma geração ao silêncio e à desesperança.


E o momento para todos unirmos as mãos em defesa da qualidade da educação do nosso estado, a educação não e responsabilidade só da escola, só do professor e de todo cidadão, sendo assim a ALEAC deve abrir este debate e chamar todos os autores que envolve a educação do nosso estado.

Texto: Rosana Nascimento

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