GLADSON É O BRINCANTE: no último segundo do jogo, brinca com os servidores e com a opinião pública

Ruan Teixeira

Por: Sinteac

O governo apresentou uma proposta aos servidores sem sequer oficializar os sindicatos. Quando as entidades sindicais tiveram conhecimento do conteúdo, fizeram o que é sua obrigação: avaliar a proposta com responsabilidade.

Alguns pontos precisam ser esclarecidos:

  1. Situação dos não concursados.

Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2023, essa situação já deveria ter sido resolvida. Somente agora o governo se movimenta, justamente em um momento pré-eleitoral, quando busca votos para si e para sua candidata. Ainda assim, é importante registrar que nenhum sindicato questionou esse ponto, pois trata-se de uma pauta histórica que finalmente estaria sendo atendida.

  1. Auxílio saúde de R$ 500,00 para aposentados e pensionistas
  2. Auxílio alimentação de R$ 700 para todos os servidores, incluindo os militares
    Ora, em um processo de negociação, o procedimento correto é simples: o governo apresenta uma proposta, os sindicatos analisam e podem apresentar uma contraproposta. Isso faz parte de qualquer negociação séria.

Ainda mais porque o governo não realizou a reposição do RGA (Revisão Geral Anual) ao longo de seu mandato, algo que deveria ter sido feito todos os anos.

Diante disso, os sindicatos apresentaram uma contraproposta. A resposta do governo foi simplesmente dizer não e retirar a proposta da mesa.

Nesse cenário, os sindicatos passaram a sofrer pressão dos próprios servidores, muitos deles desesperados por qualquer ganho, diante de tantas perdas acumuladas. Mesmo reconhecendo que a proposta é insuficiente, os sindicatos acabaram aceitando, para que os trabalhadores não ficassem sem absolutamente nada.
Mas o chamado “brincante” foi além. Declarou que o governo não enviará mais nenhuma proposta, para evitar que deputados da oposição apresentem emendas e constranjam deputados da base governista, que estão em processo de reeleição.
Enquanto isso, muitos desses deputados estão em Brasília, em reuniões partidárias. Ou seja, a preocupação do governo não é com os servidores, mas com o cenário eleitoral — com sua candidata ao governo e com seus aliados.

Paralelamente, o governo utiliza parte da imprensa para divulgar informações distorcidas, tentando colocar os servidores contra os sindicatos, dizendo que as entidades não aceitaram a proposta.
De fato, os sindicatos não concordaram com os valores apresentados, por considerá-los insuficientes e injustos. Mesmo assim, aceitaram posteriormente para não prejudicar ainda mais os trabalhadores.

Outro ponto grave é que os mesmos valores devem ser aplicados a aposentados e pensionistas, o que também levanta questionamentos sobre justiça e equidade.


E sobre reajuste salarial? Nem se fala. O RGA é um direito e pode ser concedido mesmo que o limites da Lei de Responsabilidade Fiscal esteja acima do permitido

A Educação, mais uma vez, é a maior prejudicada.
Também não há garantia sobre o retorno da nossa tabela salarial, nem sobre a revisão dos valores que variam de R$ 500 a R$ 2.610, que vêm sendo retirados dos vencimentos dos trabalhadores da educação.

Enquanto isso, para outros setores do serviço público, como o Detran, soluções aparecem com mais facilidade. A Educação, como sempre, segue sendo penalizada e injustiçada.

Portanto, é preciso ter clareza: o governo cozinhou os sindicatos até o último segundo do jogo, fez sua jogada política e se retirou da mesa.

Agora, cabe aos servidores avaliar essa postura e dar a resposta no momento certo. Na hora do voto.
Mesmo sendo uma proposta injusta e rebaixada, restou aos sindicatos aceitá-la para que os servidores não ficassem sem nenhum avanço.

A luta continua.

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